Suspensão da transferência de suspeito da morte de Marielle será julgada no Rio

Publicado por 12 de junho de 2018 às 08:50

Os desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio poderão julgar, nesta terça-feira, um pedido de liminar feito pela defesa do ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curucica, investigado na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que solicita a suspensão da transferência de Curicica para um presidio localizado fora do Rio de Janeiro. Atualmente, ele está preso na penitenciária Laércio Costa Pelegrino, conhecida como Bangu 1.

O ex-PM cumpre pena após ter sido condenado a quatro anos e um mês de prisão por crime de posse de arma de calibre restrito.

Anderson Pedro Gomes, motorista que foi morto junto com a vereadora Marielle Franco . Foto: Reprodução Facebook

Anderson Pedro Gomes, motorista que foi morto junto com a vereadora Marielle Franco . Foto: Reprodução Facebook Foto: Reprodução/Agência O Globo

Além de investigado na morte de Marielle e de Anderson, Orlando Curicica também é acusado de mandar matar Wagner Raphael de Souza, o Didi. O crime teria sido cometido, em junho de 2015, porque a vítima alugou um terreno para instalar um circo sem pedir autorização para a milícia que seria chefiada por Orlando.

— Pedimos na liminar que a transferência do meu cliente seja suspensa pela Justiça até que ocorra o indiciamento dele no caso Marielle, o que não aconteceu ainda. Também entendemos que o juízo da 5ª Vara Criminal não seria competente para decidir pela transferência — disse o Advogado Renato Darlan, que defende o ex-PM.

Imagens de câmera mostram Marielle Franco deixando um evento antes do crime e entrando em um carro. Reprodução

Imagens de câmera mostram Marielle Franco deixando um evento antes do crime e entrando em um carro. Reprodução Foto: Reprodução

Darlan também disse que entrou com recurso ,na semana passada, no Superior Tribunal de Justiça(STJ) pedindo para ter acesso ao inquérito instaurado pela Delegacia de Homicídios (DH) para apurar as mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes. Orlando Curicica passou a ser um dos alvos da investigação após uma testemunha alegar ter presenciado conversas entre o miliciano e o vereador Marcello Siciliano. Segundo a testemunha, eles queriam a morte de Marielle. Siciliano prestou depoimento e negou a acusação. Orlando também negou envolvimento no caso e ainda não foi indiciado pelo crime.

— A gente sabe que de investigado para indiciado é um processo rápido. Quero entender como o nome do Orlando entrou no inquérito. Só há uma acusação contra meu cliente, feita por uma testemunha que não tem credibilidade. Entramos no STJ para ter acesso ao inquérito e saber exatamente o que existe contra o Orlando —disse Darlan.

Marielle e Anderson foram assassinados a tiros, na noite do dia 14 de março, no Estácio, na Região Central do Rio. O inquérito que apura a responsabilidade pelas duas mortes já tem centenas de páginas e pelo menos três volumes. Foram ouvidas mais de 70 pessoas, incluindo políticos e parentes de Marielle e Anderson. Até agora, a polícia ainda não sabe quem são os homens que mataram a vereadora e o motorista. A motivação do duplo assassinato também não foi descoberta pelos investigadores.Na foto, agentes da Delegacia de Homicídios analisam pistas no local da morte da vereadorea Marielle Franco

Na foto, agentes da Delegacia de Homicídios analisam pistas no local da morte da vereadorea Marielle Franco Foto: Luã Marinatto/Agência O GloboO que sabe até agora é que os homens que dispararam contra o carro ocupado pela vereador, o motorista e uma assessora (que escapou sem ferimentos graves) estavam em um Cobalt prata, que usava uma placa clonada. A arma usada no crime, segundo as investigações, foi uma submetralhadora HK MP5, de fabricação alemã.

A munição usada no assassinato pertence a um lote que foi vendido para a Polícia Federal, em 2006, mas que teve parte da munição desviada.

O inquérito que apura as duas mortes já foi remetido à justiça, pelo menos duas vezes, com um pedido de prorrogação de prazo das investigações ( o prazo inicial é de 30 dias). Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a solicitação foi concedida pelo juízo da 4ª Vara Criminal do Rio, onde o processo vai tramitar após a conclusão do trabalho da Polícia Civil. O caso também está sendo acompanhado pelo advogado João Tancredo.

Ele atua há 30 anos com responsabilidade civil. Ligado a ativistas dos Direitos Humanos, ele também atuou no caso do ajudante de pedreiro Amarildo, que foi assassinado por PMs na Rocinha, em 2013, e na morte de cinco jovens assassinados por PMs, em Costa Barros, em 2015.

— Estamos acompanhando o caso para as famílias de Marielle e de Anderson. Queremos saber o que aconteceu para saber quem são os responsáveis, a fim de eventuais indenizações para as duas famílias —disse João Tancredo.

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