Já classificada, França encara a Dinamarca com time misto

Publicado por 26 de junho de 2018 às 09:56

Na era das redes sociais, em que cada jogador de ponta virou um veículo de comunicação de massa, manter elencos estelares concentrados numa Copa do Mundo e imunes a distrações não é tarefa simples. A França, que chegou à Rússia com um elenco badalado, entre astros emergentes e jogadores já estabelecidos no cenário, terá um time misto em campo nesta terça-feira, às 11h (de Brasília) contra a Dinamarca. E uma das poucas estrelas em campo, o atacante Antoine Griezmann, do Atlético de Madrid, é um retrato fiel da atual geração francesa: jogador técnico, cobiçado no mercado, valorizado e, de tão midiático, capaz de um sobressalto que abalou a início da caminhada francesa na Rússia.

Sua transferência da capital espanhola para o Barcelona era considerada certa. O suspense foi ganhando corpo, em especial após Griezmann decidir que seu futuro seria anunciado em um programa de TV veiculado num canal fechado espanhol e realizado pela produtora que tem o zagueiro Piqué, do Barcelona, como um dos sócios. Em suas redes sociais, Griezmann divulgou que a tão esperada resposta viria no documentário “La Decisión” (A Decisão, em espanhol), na noite do dia 14 de junho, a 48 horas da estreia francesa.

Nos dias anteriores, foram ao ar “teasers” que aguçavam a curiosidade. Sentado em uma escada de sua imensa mansão em Madrid, o atacante ouvia de um entrevistador:

– Você não teme tomar a decisão errada e se arrepender?

– Não vou me arrepender – respondia Griezmann.

Até que, no horário marcado, foi ao ar o programa que, ambientado na casa do jogador, revelava que Griezmann ficaria no Atlético. O jogador aparecia fazendo uma tatuagem, depois um extensa dissertação sobre a dificuldade da decisão. Até que chegava ao clímax da atração televisiva.

– O que você decidiu? – pergunta o entrevistador.

– Decidi ficar – responde Griezmann. De imediato, a imagem corta para uma cena noturna do jogador sozinho, na frente do estádio de um vazio estádio Wanda Metropolitano, vestindo roupa preta e cabeça coberta por capuz. A câmera gira até mostrar o letreiro da casa do Atlético de Madrid. Como num final feliz.

Na França, o corpo técnico teve que negar qualquer alteração da rotina, embora as atenções tenham se voltado para Griezmann. Jogadores, como o goleiro Lloris, brincaram quando perguntados sobre como reagiram ao ver o filme.

– Nós rimos muito – disse o goleiro.

A polêmica respingou até na seleção espanhola. Mais especificamente, em Piqué. Em suas extremamente ativas redes sociais, divulgou o programa feito por sua produtora sobre o destino do atacante francês que, a rigor, decidira dizer não ao Barcelona, o clube do defensor. Em entrevista após a estreia espanhola contra Portugal, um grande jogo que terminou 3 a 3, o zagueiro teve que responder sobre o documentário.

– Não traí o Barcelona. Não entendo a reação das pessoas. Conversei com Griezmann e ele me disse que havia uma chance de ir para o clube. Disse que iria filmar a decisão, porque seria um conteúdo interessante para as pessoas entenderem o que se passa na cabeça do jogador – afirmou o defensor.

A forma como Griezmann anunciou sua decisão não é inédita. Já fora usada por LeBron James para tornar pública sua ida para o Miami Heat, em 2010.

A carreira do atacante e a forma como se desenvolveu no futebol o obrigaram a ter uma personalidade forte. Mas talvez seja exagero chamá-lo de polêmico. Sua entrada no radar da seleção francesa é relativamente tardia. Aos 13 anos, filho de mãe francesa com origem alemã e de pai português, deixou a França, onde vivia em Mâcon, a 60km de Lyon. Fora recusado em testes em clubes franceses até ser descoberto por um observador da Real Sociedad. Venceu a resistência dos pais e deixou o país.

O fato de jogar na Espanha o manteve distante das seleções de base francesa. No entanto, seu ótimo desempenho na campanha que levou a Real Soceidad de volta à primeira divisão espanhola o fez ser convocado pela primeira vez, às vésperas de fazer 19 anos, para a seleção sub-19. Dois anos depois, já um jogador disputado por grandes clubes, foi suspenso por causa de uma saída noturna enquanto estava a serviço da seleção sub-21.

Em 2014, chegou ao Atlético de Madrid logo após disputar a Copa do Mundo no Brasil. Seus 24 gols logo na primeira temporada no clube já o transformavam numa estrela internacional. Movimentação por todo ataque, drible, capacidade de dar o último passe e, claro, os gols. Um atacante completo.

A distância da família talvez já não fosse um problema, mas em novembro de 2015 o jogador viveu momentos de angústia: estava em campo no amistoso da França contra a Alemanha, suspenso após a explosão de uma bomba nas proximidades do Stade de France, palco da partida. O incidente foi apenas um episódio da série de atentados que abalou Paris. Um deles, na casa de shows Bataclan, onde morreram 89 pessoas. A irmã de Griezmann estava no local e conseguiu escapar.

Em campo, clube e seleção sempre foram realidades distintas para Griezmann. Ele funcionou à perfeição no 4-4-2 de Diego Simeone, o que contribuiu para a renovação até 2023, que deverá levar sua cláusula de rescisão para acima dos 100 milhões de euros. Na seleção, muitas vezes formando um ataque com três homens, parece ter alguma dificuldade a mais para se acomodar.

Agora, sofre com cobranças na França para que seu rendimento iguale o do Atlético.

– Ele libertou sua mente para a Copa do Mundo. É uma boa notícia para nós – disse Deschamps, após tanto ser perguntado sobre o futuro contratual do atacante. – (Contra a Dinamarca) Ele pode jogar, como muitos outros. Vejo que está em boas condições, vai progredindo.

– Na Eurocopa a primeira fase foi assim. Aos poucos, meu nível foi subindo – disse o jogador.

Após passar o Mundial do Brasil sem gols, tem hoje nova chance de deslanchar. Um empate garante à França o primeiro lugar do Grupo C. A Dinamarca precisa também de um ponto para garantir a classificação.

 

 

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