Coluna de Fred Figueiroa: A difícil resistência da Copa do Nordeste para os próximos anos

Publicado por 19 de setembro de 2018 às 10:12

Em uma reunião tímida, na sede do SBT, em São Paulo, a Liga do Nordeste anunciou garantias para a realização do regional em 2019. De acordo com os presidentes de Santa Cruz e Náutico – que foram ao encontro – a Turner (empresa que controla o grupo Esporte Interativo e que encerrou as atividades do canal na TV por assinatura) prometeu honrar o pagamento das cotas até 2022, mesmo sem a transmissão dos jogos que, até aqui, só deve acontecer nas afiliadas do SBT no Nordeste. De toda forma, se esta garantia realmente sair do papel, existe ao menos uma base para tentar manter a competição de pé depois de uma série de problemas em 2018, agravados pelo fim do Esporte Interativo.

O investimento

O bolo a ser dividido pelos clubes é de R$ 26,4 milhões – além das despesas com passagens e hospedagens. Isso significa um aumento de 17,8% no investimento da Turner – que já sofreu um prejuízo significativo com a competição em 2018. A Liga e os clubes ainda têm a oportunidade de negociar os direitos de transmissão do campeonato na TV fechada e internet – o que pode aumentar a fatia de cada um. Para 2020, com o fim do contrato com o SBT, também fica livre a possibilidade de uma nova negociação com a TV aberta. Mas, por ora, é melhor analisar um cenário de cada vez. E, para o ano que vem, parece claro que o objetivo principal é a sustentação da competição. Os clubes, inclusive, têm um papel fundamental para que isso aconteça. O regional é, sem dúvida, a melhor alternativa para o calendário dos times nordestinos nos três primeiros meses do ano – tanto no aspecto financeiro, como técnico.

Os quatro golpes

O enfraquecimento da Copa do Nordeste em 2018 se deu em quatro desmembramentos. E em dois atos. Três deles interferiram diretamente já na própria competição: O fatiamento do calendário – fazendo com que as fases finais fossem disputadas durante o Brasileiro e a Copa do Mundo; a saída da TV Globo, que fez as audiências na TV aberta despencarem e, consequentemente, causando uma significativa diminuição no grau de interesse geral pela competição (os públicos nos estádios foram baixos); e o rompimento do Sport, que representava a maior fatia de audiência das transmissões e consumo de notícias na região. Este foi o primeiro ato e seus três fatores somados (sobretudo os dois primeiros) atingiram em cheio o regional. O segundo ato veio com o fim do Esporte Interativo, deixando no ar uma sensação de fragilidade e insegurança quanto ao torneio. E a reunião de ontem aconteceu justamente para tentar acalmar os ânimos e dar um recado ao mercado.

…E o risco do quinto

Existe, entretanto, o risco de um quinto desmembramento – cujos sinais já são mais que claros: O rompimento do Bahia. O presidente do tricolor, Guilherme Bellintani, fez uma espécie de escalada de endurecimento em seu posicionamento. As indiretas do início do ano (com críticas ao formato e destacando a necessidade de uma transformação conceitual e profunda da competição) se transformaram em declarações duras ao longo do torneio e abertura de conversas com a TV Globo – que sempre deixou uma porta aberta para a realização de um torneio independente, ideia que seduziu e acabou isolando o Sport. Com a implosão do EI, Bellintani mais uma vez veio a público expor o desgaste da relação entre o clube e o canal com quem assinou contrato para a transmissão da Série A na TV fechada entre 2019 e 2024, abrindo até a possibilidade de uma ação judicial para anular o acordo. Não por acaso o Bahia foi o único clube sem representante na reunião de ontem. O presidente da FPF, Evandro Carvalho, inclusive, confirmou que a possibilidade da saída do Tricolor baiano existe. Resta esperar as cenas dos próximos capítulos. O último, pelo menos, traz algum oxigênio para o Nordestão resistir.

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