O QUE SERIA UM GOVERNO BOLSONARO

Publicado por 17 de outubro de 2018 às 09:34

Prof. João Marcio, UFRRJ Rio de janeiro, 12 de outubro de 2018 O deputado Bolsonaro já se comprometeu com o “mercado” a entregar toda as decisões da área econômica ao grandes agentes privados, sob a hegemonia do capital financeiro (personificado no tal Paulo Guedes).

Pelas declarações do candidato, seria um governo comandado diretamente por homens de negócio comprometidos com a redução do “custo Brasil”, ou seja, com o aumento do lucro privado. Um governo com esse perfil não apenas continuaria, mas radicalizaria a agenda Temer, a fim de implantar:

1) A redução brutal dos custos de remuneração da força de trabalho (isto é, a redução do salário mínimo e o fim de diversos direitos trabalhistas combinadas com a deterioração das condições de trabalho, por meio da generalização do trabalho intermitente, da terceirização e do sucateamento da justiça do trabalho)

2) O fim das restrições legais à máxima exploração econômica dos recursos naturais, passando por cima de populações tradicionais e preocupações ambientais.

3) O sucateamento e a privatização da educação pública (mediante o subfinanciamento crônico de escolas e universidades, a implantação em massa do ensino à distância via empresas privadas, a substituição de concursos públicos para técnicos e professores pela contratação via terceirização, a redução drástica das bolsas de estudo, pesquisa e apoio à permanência nas universidades, a imposição de reitores pelo MEC contra a escolha democrática de comunidade acadêmica e a perseguição ideológica à liberdade de ensino e pesquisa)

4) O sucateamento e a privatização da saúde pública (mediante o subfinanciamento do SUS, a regulação fraca das empresas privadas de saúde, a generalização das parcerias público-privadas como modelo de gestão e a substituição de concursos públicos pela contratação temporária via terceirização)

5) O favorecimento à indústria armamentista (nacional e estrangeira), mediante a liberação do porte de armas e a prioridade orçamentária às demandas das polícias e das forças armadas

6) Um modelo de segurança pública ainda mais belicoso, menos responsável perante a sociedade e menos responsabilizável juridicamente.

7) O alinhamento externo do Brasil aos EUA e a Israel, colocando o país numa agenda militarista que contraria a sua tradição diplomática e põe em risco a paz na região. Além disso tudo, ainda teríamos uma reforma da previdência (que cortaria direitos para os de baixo, mas manteria privilégios para a elite estatal e os militares), uma reforma tributária que reforçaria a concentração de renda e riqueza, a privatização de empresas e bancos públicos e a fragilização das instituições de controle e investigação contra a corrupção. Para implantar uma agenda desse tipo (os capitalistas de cima vão ampliar a “lei do cão” para os debaixo), só com intimidação, perseguição e violência. Aquilo que a historia registrou como métodos fascistas.

João Márcio Mendes Pereira.

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