“Navio fantasma” seria responsável por óleo nas praias do Nordeste

Publicado por 11 de novembro de 2019 às 08:31

Uma nova análise da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) indica que o recente vazamento de óleo nas praias do Nordeste teria sido causado por um navio fantasma – e não por um petroleiro grego, como aponta o governo brasileiro. No sábado (9), o óleo chegou a mais duas praias do Espírito Santo, mostrando que se espalha agora pelo Sudeste.

A embarcação teria passado pela costa brasileira com o sistema de rastreamento por satélite, o transponder, desligado para não ser detectada pelas autoridades. Os dados de navegação usados na pesquisa são provenientes da plataforma Marine Traffic, provedora mundial de trajetórias de navios.

A partir desses dados, o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis) rastreou e analisou os trajetos dos cinco petroleiros de bandeira grega que navegaram pela costa brasileira no período próximo à chegada de óleo nas praias do Nordeste e que foram notificados pela Marinha do Brasil.

Autoridades brasileiras acreditam que uma das cinco embarcações (Maran Apollo, Maran Libra, Bouboulina, Minerva Alexandra e Cap. Pembroke) seria responsável pelo vazamento e apontou o Bouboulina como principal suspeito. A empresa Delta Tankers, responsável pela embarcação, negou a responsabilidade.

Na semana passada, o Lapis já havia contestado a versão da Marinha, que associava a origem das manchas de óleo ao trajeto do Bouboulina. O laboratório encontrou uma significativa imagem de óleo do satélite Sentinel-1ª, em 24 de julho, dois dias antes da passagem do navio grego pelo local. Agora, o laboratório ampliou a análise para as outras quatro embarcações de bandeira grega e chegou a conclusão semelhante.

“A partir da análise dos cinco navios gregos investigados pelas autoridades brasileiras, identificamos que há grande probabilidade de as rotas deles não terem relação com o derramamento de óleo no litoral do nordeste”, explicou o pesquisador Humberto Barbosa, coordenador do Lapis.

“Algumas peças foram fundamentais para montar esse quebra-cabeças: as imagens de satélite, as informações de inteligência em navegação, a data do surgimento das manchas de óleo na região, a direção das correntes oceânicas e a procedência do petróleo.”

A análise feita pelo Lapis também afirma que “de todos os navios gregos investigados, o Bouboulina é o menos suspeito, apesar de todo o burburinho causado pelas autoridades brasileiras, na última sexta-feira, dia 1º de novembro”. “A trajetória dele foi bastante linear e os dados não apresentam qualquer registro de eventos inesperados pelo caminho”.

Imagem de mancha foi detectada dia 24 de julho, por satélite. Imagem: Lapis/Ufal

Principal imagem foi registrada na altura do Rio Grande do Norte

De acordo com o Lapis, a imagem de satélite mais conclusiva da presença de óleo no litoral do Nordeste foi registrada no dia 24 de julho, na altura do Rio Grande do Norte. Ela identifica uma mancha de 86 quilômetros de extensão e um quilômetro de largura, a aproximadamente 40 quilômetros do município de São Miguel do Gostoso. A mancha varia de 40 a 1.200 metros de profundidade, dependendo do trecho. A mesma imagem registra também a presença de um navio, que não seria nenhum dos cinco petroleiros gregos.

“Na interpretação do sinal de óleo na imagem de satélite já foram descartados possíveis ruídos de fitoplâncton, topografia de fundo do oceano, correntes marítimas, nuvens ou brisas”, explicou Barbosa. “A única interferência possível seria o rastro deixado pelo navio na água ter sido registrado pelo satélite. Porém, pela geometria, intensidade, espessura e tamanho da mancha, consideramos baixa essa possibilidade.”

Fragmentos de óleo foram encontrados neste sábado em mais duas praias do Espírito Santo: Urussuquara e Barra Nova. Na quinta-feira (7), o óleo já chegara em Guriri (ES). Autoridades locais fecharam a foz de riachos que deságuam no mar para evitar que a poluição chegue aos rios e comprometa o abastecimento de água.

O Espírito Santo é o décimo Estado brasileiro a ser atingido pelo óleo, depois de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. De acordo com levantamento feito pelo Ibama, cerca de 4.300 toneladas de óleo já foram retiradas das praias nordestinas.

Marinha nega que imagem no RN seja mancha de óleo

A Marinha divulgou hoje nota na qual contesta a versão de que o material encontrado em São Miguel do Gostoso (RN) seja mancha de óleo e esteja associado ao vazamento que atinge o Nordeste. “As análises efetuadas, por meio de imagens de satélites e geointeligência, classificaram essa ocorrência como falso positivo”, afirmou a Marinha.

“A região mencionada apresenta um sistema de correntes marítimas constantes no sentido oeste-noroeste, o que não possibilitaria a chegada da mancha de óleo ao litoral leste nordestino.”A Marinha disse ainda que as investigações prosseguem, com “apoio de instituições nacionais e estrangeiras”.

Especialistas detectaram uma imagem no litoral do Nordeste dois dias antes da passagem do navio grego Bouboulina, apontado pela Polícia Federal como o principal suspeito pelo vazamento do óleo na costa da região.

A imagem, encontrada pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), identifica uma mancha de 86 quilômetros de extensão e um quilômetro de largura, a aproximadamente 40 quilômetros do município de São Miguel do Gostoso. A mancha varia de 40 a 1.200 metros de profundidade, dependendo do trecho A mesma imagem registra também a presença de um navio, que não seria nenhum dos cinco petroleiros gregos.

Veja a íntegra da nota da Marinha:

“Em relação ao estudo que correlaciona uma imagem satelital, identificada 40 km ao norte de São Miguel do Gostoso-RN, em 24 de julho, com uma mancha de óleo que poderia ser a origem do crime ambiental que atingiu o litoral nordeste, a Marinha do Brasil informa:

1- As análises efetuadas, por meio de imagens de satélites e geointeligência, classificaram essa ocorrência como falso positivo.

2- A região mencionada apresenta um sistema de correntes marítimas constantes no sentido oeste-noroeste, o que não possibilitaria a chegada da mancha de óleo ao litoral leste nordestino.

As investigações prosseguem, com apoio de instituições nacionais e estrangeiras.”

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